Ulisses Pereira Chaves

Ulisses Pereira Chaves é o ceramista homem mais conhecido do Vale do Jequitinhonha, MG, uma região onde a arte da cerâmica, em sua grande maioria, surge a partir de mãos femininas, como as de Izabel Mendes da Cunha, Zezinha, Irene Gomes e Noemisa. Ele nasceu em 1924 na localidade de Córrego Santo Antonio, município de Caraí. Ulisses foi um dos primeiros homens a se dedicar à arte da cerâmica no Vale do Jequitinhonha. Ele herdou essa tradição da mãe, Domingas Pereira do Santos, que era filha, neta e bisneta de paneleiras (no Vale do Jequitinhonha as paneleiras são mulheres que se dedicam à cerâmica utilitária). Em seu trabalho Ulisses manteve as mesmas técnicas de modelagem e pintura aprendidas com a mãe. Ele produziu ao longo de sua vida uma obra baseada na cerâmica escultórica antropozoomorfa de grande dimensão. Ulisses faleceu em 2006 aos 84 anos.

 Ulisses Pereira Chaves. Foto autoria desconhecida.

A obra de Ulisses foi descrita como expressionista, surrealista, mística, onírica, sobrenatural; dentre outras. Independente da classificação ela é única, original e colocou o nome de Ulisses entre os mais importantes escultores brasileiros do século XX. Suas peças eram confeccionadas com um barro rosa puro e os engobes nas cores vermelho e branco eram usados nos detalhes e grafismos da escultura. Ulisses era analfabeto e assinava suas peças grafando apenas UP. Na maioria delas misturava formas de gente com bichos: Figuras com várias cabeças, estranhos rostos e coisas do gênero, minotauros, lobisomens, pássaros com pés humanos, algumas chegando a medir 1 metro de altura. Os olhos, nas figuras de Ulisses, em forma de grãos de café são únicos entre as peças produzidas no Vale do Jequitinhonha. Segundo a professora e ceramista Lalada Dalglish, estes olhos, que já eram usados na cerâmica mesoamericana pré-colombiana, lembram também esculturas africanas, que é a origem direta da obra de Ulisses.

Ulisses Pereira Chaves, título desconhecido, cerâmica. Acervo do Pavilhão das Culturas Brasileiras, São Paulo, SP

Ulisses Pereira Chaves, título desconhecido, cerâmica. Reprodução fotográfica Galeria Estação, São Paulo, SP. Foto: João Liberato© 

Os trabalhos de Ulisses integraram várias exposições no Brasil e no exterior, dentre elas a exposição “Brésil, Arts Populaires” (Grand Palais, Paris, 1987) e a Exposição Comemorativa aos 500 anos do Descobrimento do Brasil (São Paulo, 2000). Eles ainda podem ser encontrados em importantes museus e coleções particulares. No Rio de Janeiro, RJ no Museu Casa do Pontal e no Museu do Folclore Edison Carneiro. Em João Pessaa,PB no Centro Cultural de São Francisco.

 Ulisses Pereira Chaves, moringa de três cabeças, cerâmica. Acervo do Museu Casa do Pontal, Rio de Janeiro, RJ

Depois da morte do artista em 2006, a tradição da cerâmica continua nas mãos femininas de sua esposa Maria José, sua irmã Ana e a filha Margarida. Elas produzem peças que se assemelham às de Ulisses, mas com características próprias de cada uma.

Referências Bibliográficas:

- Dalglish, Lalada. Noivas da Seca: Cerâmica popular do Vale do Jequitinhonha, 2a Ed. - São Paulo: Editora UNESP, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2008.

- Frota, LC. Pequeno Dicionário da Arte do Povo Brasileiro – Século XX. Aeroplano Editora, Rio de Janeiro, 2005.

Ulisses Pereira Chaves, título desconhecido, cerâmica. Reprodução fotográfica Galeria Estação, São Paulo, SP. Foto: João Liberato©

Ulisses Pereira Chaves, título desconhecido, cerâmica. Reprodução fotográfica Galeria Estação, São Paulo, SP. Foto: João Liberato©

Ulisses Pereira Chaves, título desconhecido, cerâmica. Reprodução fotográfica Galeria Estação, São Paulo, SP. Foto: João Liberato©

Ulisses Pereira Chaves, título desconhecido, cerâmica. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.

 Ulisses Pereira Chaves, título desconhecido, cerâmica. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.

Willi de Carvalho

Welivander César de Carvalho, mais conhecido como Willi de Carvalho, é um dos mais importantes e inventivos artistas brasileiros. Ele nasceu em Montes Claros, norte de Minas Gerais, em 1963. Membro de uma família de poucos recursos, Willi cresceu em uma rua de Montes Claros onde passavam muitos viajantes da Bahia e de Minas Gerais. As imagens dessa época, guardadas na memória do artista, agora surgem em forma de pequenas esculturas e alegorias sobre temas urbanos e rurais, espaço de encontro da realidade e da fantasia.


Willi de Carvalho. FOTO: arquivo do artista

Willi começou no mundo da arte desde muito cedo. Autodidata, deu seus primeiros passos como artista no campo do desenho, tendo feito ainda vários trabalhos com a técnica de nanquim. Seu processo criativo no mundo da escultura começou no quintal de sua casa inventado o que brincar. Os palitos e grampos da mãe se transformavam em outros objetos, no lugar dos brinquedos, que não tinha. Isso o estimulou para a criação, de onde saíam teatrinhos de barro e miniaturas feitas de todos os objetos que o artista encontrava. Apesar de ter sido criado em uma família adventista, Willi desde a adolescência se sentiu atraído pelo mundo da criação popular que envolve a realização das festas católicas. Este fascínio pelas festas e rituais católicos lhe rendeu muitas reprimendas e a inimizade de algumas pessoas de sua família; menos sua mãe que foi sempre grande incentivadora de seu trabalho. Willi sempre gostou de livros e revistas de arte, os quais funcionavam como meios de estímulo e inspiração em seu processo criativo. Até hoje Willi tem na leitura das obras de autores como Guimarães Rosa e Ariano Suassuna, uma de suas maiores fontes de inspiração.

Willi de Carvalho, Homenagem a Ariano Suassuna. Reprodução fotográfica Galeria Pontes, São Paulo, SP

Entre os anos 1993 e 1996 Willi participou em sua cidade natal de um grupo de teatro chamado Fibra, dirigido por Terezinha Lígia. Foi o teatro um dos campos artísticos mais importantes em sua trajetória. O próprio trabalho de elaboração de miniaturas de pequenas cenas e situações, que começa anos mais tarde, surgiu também muito em função da prática e das técnicas que foi desenvolvendo no intuito de construir maquetes e cenários para as produções teatrais.

 Willi de Carvalho, título desconhecido. Reprodução fotográfica Galeria Pontes, São Paulo, SP

A primeira exposição individual do artista Willi de Carvalho aconteceu em Montes Claros em 1991; nela ele mostrou seus trabalhos em telas, pinturas e desenhos. Em 1993, participou de uma nova exposição de desenhos e pinturas na Casa de Cultura de Santo Amaro, em São Paulo. Em 1995, morando em João Pessoa, PB, teve a oportunidade de expor seus trabalhos na mostra “Aquarelas de igrejas de João Pessoa”. De volta a Montes Claros, trabalhou novamente com teatro e, por sobrevivência, desenhava também moda. Em 1997 conheceu o artista plástico curitibano Hélio Leites. Willi conta que esse encontro foi fundamental para sua obra e para sua vida de artista, marcando uma mudança de postura frente ao próprio trabalho: Ele é que foi meu mestre para criar um trabalho para mostrar, mesmo, artisticamente. Aí ele falou: 'Ô, Willi, por que você não faz um trabalho para você expor?', conta Willi. Antes de conhecer Hélio Leites, o artista mineiro produzia apenas esculturas muito pequenas, oratórios, presépios e cenas trabalhadas dentro de caixas de fósforo. Após o incentivo, começou a confeccionar peças mais elaboradas, utilizando a técnica das caixas de fósforo para criar e desenvolver os cenários e paisagens que faz hoje. A ampliação do tamanho das peças demandou mais tempo para a elaboração do conjunto de ornamentos que as compunha. A partir daquele encontro Willi começou a produzir suas miniaturas com a preocupação de lhes dar outra dimensão, procurando inseri-las não mais só na condição de ofício complementar às atividades teatrais ou como peças meramente decorativas, mas procurando o circuito de galerias, eventos e concursos, passando a valorizar, divulgar e projetar suas peças como objetos de arte. Ainda em 1998, com a miniatura Exaltação ao folclore de Montes Claros, recebeu o primeiro prêmio do Salão dos Catopés, durante as tradicionais festas folclóricas da cidade. A partir do contato com Hélio Leites, a confecção de miniaturas tornou-se seu carro-chefe, marca de sua individualidade como artista, sendo hoje seu grande diferencial no mercado de arte.

 Willi de Carvalho, Descobrimento. Reprodução fotográfica Galeria Brasiliana, São Paulo, SP

Papel, pano, arame, caixas de fósforos e de remédios, palitos de fósforo, de dentes e de madeira japonesa, miçangas, fitas, bijuterias, serragem e buchas são alguns dos elementos que dão vida as criações do mineiro Willi de Carvalho. Um dos aspectos que mais característicos de sua obra é a maneira como lida com as cores. Na maioria das peças utiliza tintas comerciais, porém, é comum também produzir suas próprias tintas pelo processo de adição de cola e água àquelas usadas para pintar paredes. Além da tinta de parede, usa também anilina para colorir miniaturas de vegetação, árvores, arbustos e gramas, que são feitas com pequenos pedaços de buchas. Depois de ter aprendido a técnica do biscuit, Willi passou a utilizá-la na confecção do revestimento dos animais e personagens, suas vestimentas, em adereços, utensílios e detalhes, bem como partes dos cenários, o que lhe proporcionou maiores produtividade e rapidez. Eventualmente utiliza também a técnica de papier machê em suas peças maiores, já que com essa é mais difícil obter apuro nos detalhes.

Willi de Carvalho, título desconhecido. FOTO: arquivo pessoal do artista.

Willi de Carvalho é hoje, sem dúvida, um dos mais minuciosos e sofisticados miniaturistas do Brasil. Atualmente ele vive só de seu ofício, o que inclui a venda direta de suas obras, os trabalhos realizados sob encomenda, as aulas, oficinas, a participação em diversos projetos, bem como a confecção de suvenires e brindes para instituições, cujas encomendas costumam ocorrer em períodos específicos, como as festas de final de ano, por exemplo. Durante sua trajetória participou de diversas exposições, dentre algumas se destacam:

- Casa de Cultura de Santo Amaro – Desenhos e Pinturas. São Paulo, SP, 1993
- Arte em miniatura – Montes Claros Shopping Center. Montes Claros, MG, 1999
- Salão Nacional de Artesanato Mãos de Minas. Belo Horizonte, MG, 1997, 2001 e 2005
- “Música em Miniatura – 80 Anos do Rádio no Brasil”. Espaço Ariano Suassuna, Rio Scenarium. Rio de Janeiro, RJ, 2002
- “Mini-série” – Shopping Nações Unidas. São Paulo, SP, 2003
- Carnaval em Miniatura – Minas Shopping. Belo Horizonte, MG, 2003
- Exposição de Arte Popular na Sandra e Marcio Objetos de Arte. Belo Horizonte, MG, 2007
- Mineiras Imagens – Galeria Pé de Boi. Rio de Janeiro, RJ, 2007
- Exposição em homenagem a Ariano Suassuna. João Pessoa, PB, 2007
- Willi de Carvalho na Livraria Cultura – São Paulo, 2008
- O Reino Encantado de Ariano Suassuna – Minas Shopping. Belo Horizonte, MG, 2008.
- Willi de Carvalho grandes miniaturas - Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, Rio de Janeiro, RJ, 2009.

Willi de Carvalho, título desconhecido. FOTO: arquivo pessoal do artista.

Sobre sua obra e o seu estilo o artista define: De rótulos referentes à minha obra, como “neo barroco”, “contemporâneo” e “erudito”, prefiro “popular”, mas isso não me interessa tanto. Arte é arte, livre de rótulos e classificações, o que me encanta é o entusiasmo e a emoção que as pessoas expressam frente ao meu trabalho.

Fonte:
MACEDO, E.J. Willi de Carvalho: grandes miniaturas. Catálogo da exposição realizada no período de 7 de maio a 7 de junho de 2009. Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, Rio de Janeiro, RJ.

 Willi de Carvalho, título desconhecido. FOTO: arquivo pessoal do artista.

Willi de Carvalho, Dorival e as cantigas do mar. Reprodução fotográfica Galeria Brasiliana, São Paulo, SP

Willi de Carvalho, Enfermo na seca. Reprodução fotográfica Galeria Brasiliana, São Paulo, SP

Willi de Carvalho, título desconhecido. FOTO: arquivo pessoal do artista.

   Willi de Carvalho, título desconhecido. FOTO: arquivo pessoal do artista.

Antonio de Dedé

Antonio Alves dos Santos herdou do pai Dedé Lourenço o apelido pelo qual é conhecido no mundo da arte popular brasileira. É o filho mais velho de um total de cinco que teve o casal de agricultores Dedé Lourenço e D. Santina Alves de Oliveira. Ele nasceu em 1953 no município de Lagoa da Canoa, interior do estado de Alagoas, a 150 km de Maceió. Desde criança, Antonio de Dedé acompanhou seu pai no trabalho na roça. Não teve tempo de freqüentar a escola. Casou-se ainda muito jovem com Maria Aparecida dos Santos (in memoriam), com a qual teve nove filhos. A região onde viveu com a família é de clima seco e quente, cuja principal atividade econômica é a plantação de fumo. Lagoa da Canoa é também a terra natal de outros importantes artistas populares como Raimundo Batista e João da Lagoa.

 Antonio de Dedé. Reprodução fotográfica TV Cultura.

A arte de Antonio de Dedé, apesar de ter sido “descoberta” no âmbito da arte popular há poucos anos, remonta à infância. Começou a fazer suas peças aos oito anos de idade. Fazia seus próprios brinquedos de madeira e lata e os vendia pela vizinhança. Depois começou a receber encomendas dos terreiros de umbanda próximos: Os bonequinhos, era assim: chegava uma pessoa que trabalhava nessas casas de mãe de santo e “ah, faz um bonequinho pra eu botar lá?”, aí eu fazia. Fazia Saravá, Ogum, Preto-Velho. Fazia. E eles levavam pra botar lá. Só que pagavam. Eu não fazia de graça não, conta o artista.

Antonio de Dedé, Sagrado Coração de Maria, madeira policromada. Reprodução fotográfica Galeria Pontes (www.galeriapontes.com.br), São Paulo, SP.

Antonio de Dedé contava que sua “descoberta” no mundo da arte popular se deu muito naturalmente e em dois momentos distintos. Desde muito tempo suas peças eram expostas em uma estante na sala de casa; as pessoas que passavam por ali sempre davam uma “esticada” para ver o que tinha lá e se deparavam com suas peças. Sua fama foi correndo pela vizinhança até que um dia um galerista de Maceió, tendo ouvido falar dele em uma visita à Lagoa da Canoa, bateu à sua porta: Aí ele chegou: “o senhor é o Antônio de Dedé?” eu disse: “sou sim, senhor.” E ele: “rapaz, eu vim à procura do senhor. E atrás de mim vem um bocado de gente que está rodando aí.” Eu digo: “ah, mas o senhor encontrou foi agora! O que deseja?” “Eu vim aqui pra saber se o senhor tem condição de fazer umas peças pra mim. Se você é interesseiro de fazer umas peças.” Eu disse: “que peças?” E ele: “peças de artesanato. Fazer escultura de madeira.” Aí eu digo: “ah, faço sim.” “Tem alguma coisa pra me mostrar aí?” Aí digo: “aqui tem umas amostrazinhas aí, só não sei se você agrada.” Aí ele pegou, mas, quando ele viu, já escolheu logo. Ele disse: “essa daqui já vou comprar. Já dá pro meu trabalho.” Eu disse: “ já?” Ele disse: “É. Tem como o senhor fazer melhor?” E eu: “tem. Faço melhor. Faço do jeito que o senhor quiser. Faço melhor, faço menor, faço maior.” E ele disse: “ah! É dessas que eu quero. Faz maior?” “Faço.” “Pois tá certo, vou levar essa”, contava Antonio. O artista e o comprador mantiveram um “contrato” de exclusividade durante algum tempo. Segundo o artista, o preço era baixo, mas compensava porque se tratava de uma venda regular. O acordo com esse comprador foi rompido pelo seu sumiço por vários meses, deixando a produção de meses “encalhada”. A segunda “descoberta” foi feita por um casal de galeristas residente em Maceió: Dalton Costa e Maria Amélia. O encontro com eles se deu mais ou menos da mesma forma que o primeiro, assim como o acordo de venda estabelecido entre eles. Na galeria do casal em Maceió há um amplo acervo de peças de Antonio de Dedé; ali essas peças foram sendo não somente comercializadas, mas também foram sendo amplamente divulgadas entre os visitantes. Esta divulgação passa pela inserção do nome de Antonio de Dedé no mundo da arte popular à criação de novos agentes e meios de mostrar e escoar seu trabalho.

Antonio de Dedé, Iemanjá, madeira policromada. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.

A principal característica da obra de Antonio de Dedé é a expressividade do entalhe e a dramaticidade evidente em cada peça. Elas transmitem ao expectador sentimentos variados: da angustia ao humor irônico. São recriações inusitadas do mundo em que vive: animais, santos católicos e figuras humanas são as peças mais encontradas. Elas possuem cores e tamanhos variados, de 50 centímetros a dois metros de altura. O artista contava que não teve um aprendizado formal em arte; aprendeu sozinho observando seu pai trabalhar a madeira na “arte da carpintaria”. Desse olhar cotidiano trouxe a inspiração para criar a sua obra e a escrever sua própria história no mundo da arte brasileira. Antonio de Dedé atribuía sua habilidade a um dom; uma dádiva recebida, algo que veio da vontade de recriar o trabalho do pai.

Antonio de Dedé, título desconhecido, madeira policromada. Reprodução fotográfica Galeria Pontes (www.galeriapontes.com.br), São Paulo, SP.

Antonio de Dedé tem obras em importantes coleções particulares e museus pelo Brasil. Ele participou de exposições pelo Brasil e no exterior e suas peças são comercializadas em importantes galerias de arte em cidades como Maceió, Recife, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.


Antonio de Dedé, São Jorge, madeira policromada. Acervo Galeria Tina Zappoli, Porto Alegre, RS.

Considerado Patrimônio Vivo de Alagoas desde 2015, Antonio de Dedé faleceu no dia 16 de junho de 2017 em Arapiraca-AL, aos 63 anos.

Fonte:
REIS, D. Catálogo da exposição “Expressões na madeira: família Antônio de Dedé”, Sala do Artista Popular, Centro Nacional do Folclore e Cultura Popular, Rio de Janeiro, RJ, 2010.

 Antonio de Dedé, título desconhecido, madeira policromada. Reprodução fotográfica Galeria Pontes (www.galeriapontes.com.br), São Paulo, SP.

 Antonio de Dedé, título desconhecido, madeira policromada. Reprodução fotográfica Galeria Pontes (www.galeriapontes.com.br), São Paulo, SP.


Antonio de Dedé, Santo Antonio, madeira policromada. Acervo Galeria Tina Zappoli, Porto Alegre, RS.

 Antonio de Dedé, banco de duas cabeças, madeira policromada. Reprodução fotográfica Galeria Estação (www.galeriaestacao.com.br), São Paulo, SP.

Antonio de Dedé, título desconhecido, madeira policromada. Reprodução fotográfica Galeria Pontes (www.galeriapontes.com.br), São Paulo, SP.


Antonio de Dedé, título desconhecido, madeira policromada. Acervo Galeria Tina Zappoli, Porto Alegre, RS.


Antonio de Dedé, N. S. Aparecida, madeira policromada. Acervo Galeria Tina Zappoli, Porto Alegre, RS.


Antonio de Dedé, Sereia, madeira policromada. Acervo Galeria Tina Zappoli, Porto Alegre, RS.


Grupo escultórico de Antonio de Dedé. Acervo Galeria Karandash, Maceió, AL.


Conjunto de obras de Antonio de Dedé. Reprodução fotográfica: Projeto Sertões.

Véio

Cícero Alves dos Santos, o Véio, é um artista sergipano que utiliza a madeira para representar o seu olhar inusitado sobre o homem e a vida no sertão nordestino. Nascido no município de Nossa Senhora da Glória em 12 de maio de 1947, o artista recebeu o apelido de Véio, por que desde criança gostava de ficar junto aos mais velhos escutando suas conversas. Hoje, Véio é um nome dos mais destacados na arte popular brasileira, tendo participado de importantes exposições no Brasil e no exterior. Suas obras ainda fazem partem do acervo de muitas galerias dedicadas à arte popular, assim como de muitas coleções particulares.

 Véio. Reprodução fotográfica TV Cultura.

Véio começou a expressar sua admiração pelo sertão nordestino utilizando a cera de abelha, mas logo que “descobriu” a madeira, deixou a cera de lado e começou a expressar sua visão do sertão através da escultura em madeira: Eu comecei bem criança. Aos 5 anos, já fazia coisinhas com cera de abelha, que parece uma massa de modelar, mas, com o progresso chegando, as abelhas manduri foram embora. Depois tentei o barro. Não achei que era bom, porque tem que levar no fogo e aí deixa de ser barro. Então tentei a madeira. Aqui tem muita. A gente vai pegar nos loteamentos que abrem, nas derrubadas que fazem por aí, conta Véio. O Sítio Soarte, Museu do Sertão, criado por ele ao lado de sua casa, recria a vida do sertanejo e traz para os visitantes, esse universo do sertão nordestino através de obras como, a Casa de Farinha, a Casa de Profissões, a Igreja e o Sítio Caduco. O Soarte se localiza na BR 206, entre os municípios sergipanos de Nossa Senhora da Glória e Feira Nova, na altura do Km 8. Quem passar pelo lugar vai se deparar com um cenário curioso, formado por esculturas em madeira bruta que representam manifestações socioculturais criadas pelo olhar de Véio. São peças grandes, médias, pequenas e minúsculas. São noivas, grávidas, seres imaginários, chapéus de couro, utensílios domésticos, máquinas rústicas, roupas e acessórios que fazem parte da vida do sertanejo. Autodidata, Véio conta que a inspiração para sua obra foi dada por Deus: Quando a inspiração chega, posso criar qualquer coisa que esteja na mente do povo, desde a Marquês de Sapucaí às lendas e realidades do homem sertanejo. Vou em busca do material e deixo a imaginação tomar conta, pois temos muita riqueza a nível de história e cultura, conta o artista. Em suas obras, o artista tenta fazer uma espécie de alusão ao ciclo da vida: Digo que as peças novas trazem o valor da juventude e as velhas, já frágeis, que vão se destruindo pela ação da natureza, trazem a parte final da vida, explica Véio. Assim, suas peças, expostas a sol e chuva, têm vida curta, adoecem, envelhecem e morrem.

Obra de Véio exposta no Sítio Soarte.

Véio, título desconhecido, madeira policromada. Reprodução fotográfica Galeria Tina Zappoli, Porto Alegre, RS.

Véio, título desconhecido, madeira policromada. Reprodução fotográfica Galeria Estação, São Paulo, SP. Foto: Germana Monte-Mór©

Além do seu museu particular, Véio tem peças espalhadas em vários lugares do mundo e do Brasil. No Brasil, suas obras podem ser encontradas no Memorial de Sergipe e no Museu da Gente Sergipana (Aracaju, SE). no Museu do Folclore Edison Carneiro (Rio de Janeiro, RJ), na Galeria Estação (São Paulo, SP), Museu do Homem do Nordeste (Recife, PE), na Galeria Pé-de-boi (Rio de Janeiro, RJ), entre outros. Além de livros de arte, a obra de Véio já foi retratada em cinco documentários. São eles: “Véio - Tradição e Comtemporaneidade”, “Nação Lascada de Véio”, “A Glória do Sertão”, “Véio – O filme”, “O Universo Simbólico de Véio” e a “Cavalhada de Poço Redondo”.

Contato com Véio:
Rodovia Engenheiro Jorge neto
BR 206, Km 8, Feira Nova
Nossa Senhora da Gloria, SE
CEP: 49680-000
Tel: (79) 9967-0436

 Véio, mulher grávida, madeira policromada. Reprodução fotográfica Galeria Tina Zappoli, Porto Alegre, RS.

 Véio, noiva, madeira policromada. Reprodução fotográfica Galeria Tina Zappoli, Porto Alegre, RS.

 Véio, título desconhecido, madeira policromada. Reprodução fotográfica Galeria Estação, São Paulo, SP. Foto: Germana Monte-Mór©

  Véio, título desconhecido, madeira policromada. Reprodução fotográfica Galeria Estação, São Paulo, SP. Foto: Germana Monte-Mór©

 Véio, título desconhecido, madeira policromada. Reprodução fotográfica Galeria Estação, São Paulo, SP. Foto: Germana Monte-Mór©

  Véio, título desconhecido, madeira policromada. Reprodução fotográfica Galeria Tina Zappoli, Porto Alegre, RS.


Documentário - Véio