Conceição dos Bugres

Conceição Freitas da Silva nasceu em Povinho de Santiago, interior do Rio Grande do Sul no dia 08 de dezembro 1914, mas se mudou com a família ainda criança para Mato Grosso, onde viveu até a sua morte em 1984, aos 70 anos de idade. Era casada com o também artista Abílio Antunes e mãe de dois filhos. Dona Conceição contava que começou a trabalhar com a madeira quando um dia se deparou com uma cepa de mandioca, que para ela tinha cara de gente. (...) “um dia, me pus sentada embaixo de uma árvore... Perto de mim tinha uma cepa de mandioca, que tinha cara de gente. Pensei em fazer uma pessoa e fiz. Aí, a mandioca foi secando e foi ficando parecida com uma cara de velha. Gostei muito. Depois eu passei para a madeira” (...) Começo a fazer e já vai saindo aquela forma de costume. Muitas vezes nem penso nisso e sai um rindo. Parece que a madeira é que quer sair assim. Acho que a madeira manda mais que eu". Foi assim que começaram a surgir da madeira bruta com rápidos golpes de facão e machadinha seus famosos "bugres". Dona Conceição se tornou uma reconhecida artista popular, tendo participado de Bienais e exposições no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Dona Conceição dos Bugres. FOTO: Roberto Higa.

Inconscientemente Dona Conceição com sua obra acabou resgatando um trabalho feito há centenas de anos por indígenas da região do Chaco Paraguaio, que é bastante variado, mas que também é formado por escultura em madeira, semelhante às da artista. Suas esculturas são simples, rudes, mas ao menos tempo delicadas e marcantes; têm personalidade. Com cera vestia seus bugres. Ela contava que passou a usar cera em suas esculturas depois de sonho; nele seu marido Abílio trazia do mato muito mel de abelha. Ela extraiu a cera, ferveu e passou nos bugres. No dia seguinte pediu ao filho para comprar cera, porque em sonho já havia gostado do resultado.

Conceição dos Bugres, bugre, madeira. FOTO: Edmar Neto.

Conceição dos Bugres, totem, madeira. FOTO: autoria desconhecida

Após a morte de Dona Conceição, seu marido, que fazia moveis de madeira, começou a fazer os bugres. Seu neto Mariano, que desde os oito anos acompanhava o trabalho da avó, seguiu o legado. (...) "enquanto eu estiver vivo e as condições físicas permitirem, jamais deixarei de fazer" (...), declarou Mariano Neto.

Conceição dos Bugres, totem, madeira. FOTO: autoria desconhecida.

A obra de Dona Conceição foi exposta em várias exposições pelo Brasil. Hoje suas peças são encontradas em museus e coleções particulares. Entre as exposições realizadas e os museus onde podem ser vistas obras de Dona Conceição, merecem destaque:

- 2012 – 2013, Janete Costa “Um Olhar”, Museu Janete Costa, Niterói, RJ.
- 2010, Pavilhão das Culturas Brasileiras - Puras misturas, Pavilhão de Culturas Brasileiras - Portão 10 - Pq. Ibirapuera, São Paulo, SP
- 2007, Encuentro entre dos Mares- Bienal de São Paulo- Valencia, Convento del Carmo - Valencia - Espanha
- Do tamanho do Brasil: Mostra de Arte Popular, SESC Paulista, São Paulo, SP.
- SOMOS - a criação popular brasileira, Centro Cultural Santander, Porto Alegre, RS
- 2005, Forma , Cor e Expressão – Galeria Estação, São Paulo, SP
- Ano do Brasil na França, Carreau du Temple, Paris – França
- 2000, Mostra do Redescobrimento - Brasil 500 anos, Arte Popular, São Paulo, SP.

COLEÇÕES PÚBLICAS
- Museu AfroBrasil, São Paulo, SP.

Conceição dos Bugres, bugre, madeira. FOTO: Edmar Neto.

Coleção de bugres de Dona Conceição. FOTO: autoria desconhecida.

Conceição dos Bugres, bugre, madeira. FOTO: autoria desconhecida.

Dona Conceição e seu marido Abílio. FOTO: autoria desconhecida.

Conceição dos Bugres, bugre, madeira. FOTO: autoria desconhecida.

Dona Irinéia

Irinéia Rosa Nunes da Silva é uma das mais reconhecidas artistas da cerâmica popular brasileira. Ela faz parte de um grupo de remanescentes quilombolas do povoado do Muquém, município de União dos Palmares, zona da mata Alagoana, onde nasceu no dia 7 de janeiro de 1949. É um lugar bastante simbólico; está próximo à Serra da Barriga, terra do Quilombo dos Palmares, do Quilombo de Zumbi. 

Dona Irinéia. FOTO: autoria desconhecida

Como muitos outros ceramistas, Dona Irinéia começou fazendo peças utilitárias junto com sua mãe para ajudar na renda familiar. Casou-se, separou-se. Depois dessa separação conheceu Antonio Nunes, Seu Toinho. Essa união trouxe folego novo para o trabalho de Dona Irinéia; pouco a pouco a cerâmica utilitária foi dando lugar às esculturas com as quais Dona Irinéia ganhou fama e reconhecimento. “Ele também mexia com barro quando era jovem. O pai de Toinho fazia telha e ele ajudava no acabamento. Depois que a gente se casou ele começou a ir buscar barro ali no barreiro e a gente começou a fazer algumas coisas além de panela e jarro. É que o povo encomendava mão de barro, cabeça e outras partes do corpo pra poder pagar promessa. E a gente fazia tudo”, diz Dona Irinéia. Assim já se vão mais de 35 anos de trabalho amassando e modelando o barro.

Dona Irinéia, cabeças, cerâmica. FOTO: autoria desconhecida

Dona Irinéia, mulher com flores, cerâmica. FOTO: autoria desconhecida

Dona Irinéia conta que foram as encomendas das pessoas que iam pagar promessa em Juazeiro do Norte-CE que despertaram sua imaginação. “Eu não tinha noção de fazer nada com o barro usando a minha mente, aí foi que Deus me mostrou a minha arte e graças a ele deu certo. Quando estou longe do barro não estou feliz. É ele que faz a minha imaginação acontecer, ele é a minha vida”, diz a artista. Suas criações resultam das memórias de sua própria vida e da realidade que cerca a comunidade quilombola. Dona Irinéia retrata animais, presépios e desde 2010, retrata uma jaqueira que serviu de abrigo para parte da sua comunidade que foi desabrigada após uma grande enchente.

Dona Irinéia modelando uma de suas peças. FOTO: autoria desconhecida

Dona Irinéia e sua jaqueira. FOTO: autoria desconhecida

Aos quase 70 anos de idade, Dona Irinéia é mãe de 11 filhos continua na lida diária com barro. Ela mora no seu povoado de Muquém, onde recebe visitas de gente do Brasil e do exterior interessada pelo seu trabalho. Em 2004, Dona Irinéia ficou entre as dez finalistas do Prêmio Unesco de Artesanato da América Latina. Em 2005, foi reconhecida pelo governo do estado de Alagoas como Patrimônio Vivo de Alagoas. Ao longos do anos suas peças se tornaram cada vez mais conhecidas pelo Brasil. É comum encontrá-las em exposições em galerias em cidades como Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Em 2015 esculturas de Dona Irinéia artesã foram levadas para Itália, a convite da Expo Milão, uma feira que reúne obras de arte de 140 países.

Dona Irinéia, título desconhecido, cerâmica. FOTO: autoria desconhecida

Contato com Dona Irinéia
Endereço: Povoado do Muquém, s/n, União dos Palmares – Alagoas, CEP 57800-000
Contato: (82) 99624-5923 / 99696-8885 / 99948-5213 / 99663-0563

Dona Irinéia rodeada por muitas das sua peças. FOTO: autoria desconhecida

Dona Irinéia, mulher com crianças nos braços, cerâmica. FOTO: autoria desconhecida

Dona Irinéia, homem nu fazendo xixi, cerâmica. FOTO: autoria desconhecida

Dona Irinéia, Padre Cícero, cerâmica. FOTO: autoria desconhecida

Conjunto de cabeças de Dona Irinéia. FOTO: autoria desconhecida.

Dona Irinéia, título desconhecido, cerâmica. FOTO: autoria desconhecida.

Mestre Zezinho de Arapiraca

Criatividade e cor talvez sejam as duas palavras que melhor resumem a obra de José Cícero da Silva, o Mestre Zezinho de Arapiraca. O artista nasceu em 1967 em Arapiraca, agreste de Alagoas, cidade que lhe emprestou o nome pelo qual é conhecido. Antes do seu envolvimento com o mundo da arte, Zezinho trabalhou com servente de pedreiro, cortador de cana, agricultor e na colheita de flores. Em 2000 descobriu sua vocação para a arte e desde então nunca mais parou. Mestre Zezinho é hoje um dos mais respeitados artistas populares de Alagoas, entre tantos outros que esse estado viu nascer.

Mestre Zezinho de Arapiraca. Reprodução fotográfica Museu do Brinquedo Popular (www.museudobrinquedopopular.com.br)

Zezinho deve sua arte em parte aos ensinamentos de outro mestre da arte popular alagoana e brasileira, Aluízio Nogueira Motas, o Mestre Lampião de Arapiraca. Porém, muitos antes do Mestre Lampião, ainda na infância, Zezinho foi influenciado pelo seu pai, um construtor de casas de taipa, barro e madeira; foi aí que Zezinho deu seus primeiros passos, utilizando sobras das construções de seu pai para fazer pequenos carrinhos que ele utilizava como brinquedo. O sucesso foi tanto que Zezinho passou a fabricar e vender os carrinhos de madeira para as crianças da vizinhança. Atualmente, a madeira que o artista utiliza na composição de suas peças é coletada nos arredores Arapiraca; ele só utiliza madeira velha que foi descartada por outros. Zezinho já não precisa trabalhar em outros oficios, hoje o sustento de sua família vem da sua arte; ele é casado e tem cinco filhos.

Zezinho de Arapiracacentopeia, madeira policromada. FOTO: autoria desconhecida.

Zezinho de Arapiraca, título desconhecido, madeira policromada. FOTO: autoria desconhecida.

Uma das características marcantes de Zezinho é o caráter lúdico de sua obra, o que faz despertar tanto interesse das crianças. São esculturas de traço rústico e simples, resultado de muita dedicação e da combinação primorosa de cores, pessoas e animais. “É um prazer mexer com a madeira, olhar a peça feita, mas a cada trabalho pronto, sei que o próximo pode ficar melhor”, diz Zezinho.

Zezinho de Arapiraca, sereia, madeira policromada. FOTO: autoria desconhecida.

O trabalho do Mestre Zezinho passou algum tempo no “anonimato”, até que uma galerista de Maceió descobriu seu trabalho e passou a comercializar suas peças. Hoje o trabalho do artista está espalhado pelo brasil e em alguns países, em galerias e coleções particulares. Seus trabalhos constam em catálogos nacionais de arte popular, revistas Casa Cláudia, Casa Vogue, entre outros. Mestre Zezinho recebeu alguns premios pela sua obra, como “O melhor artesão do ano” (Museu Théo Brandão, Maceió-AL, 2009) e menção honrosa do SESC/Alagoas.

Zezinho de Arapiraca, título desconhecido, madeira policromada. FOTO: autoria desconhecida.

Zezinho de Arapiracapássaro com 2 meninos e coelho, madeira policromada. FOTO: autoria desconhecida.

Zezinho de Arapiraca, roda gigante, madeira policromada. FOTO: autoria desconhecida.

Zezinho de Arapiracapássaro com 2 meninos com pipa, madeira policromada. FOTO: autoria desconhecida.

Zezinho de Arapiraca, título desconhecido, madeira policromada. FOTO: autoria desconhecida.

Obras de Zezinho de Arapiraca. FOTO: autoria desconhecida.

Mirian Inêz da Silva

Mirian foi uma artista plástica goiana, nascida na cidade de Trindade-GO em 1939 e um dos nomes mais respeitados da pintura popular brasileira. Iniciou a carreira de artista como gravadora e estudou na Escola Goiana de Artes Plásticas. A profissão de gravadora que lhe deu grande notoriedade na década de 1960, sobretudo após sua participação em duas bienais de arte em São Paulo, 1963 e 1967. Seu trabalho com a xilogravura tinha, segundo os críticos, grande qualidade técnica. Retratava coisas simples do cotidiano, mas com um grande rigor no entalhe. Nestas obras, predominava a cor preta em meio aos veios brancos, propositadamente deixados pelo seu entalhe. Mirian abandonou a xilogravura no final dos anos de 1960. Em 1970 realizou sua primeira exposição de pinturas no Rio de Janeiro, cidade onde passou a residir até a sua morte em 1996.

Mirian Inêz da Silva. Foto: acervo da família. Publicado no catalogo da exposição Mirian, Galeria Estação, São Paulo, SP, 2015.

Na pintura, Mirian tratava de aspectos da sociabilidade no meio rural e urbano, a cultura popular brasileira, a cultura de massas e as representações religiosas. Com a pintura, sua obra ganhou luz, cor e brasilidade, centrada sobretudo na cultura e na natureza. São composições bastante singelas, as vezes ingênuas e repetitivas, pintadas sobre pequenas tábuas de madeira recortada. Todas elas apresentam uma estrutura geométrica nas bordas e um espaço branco disponível à narrativa no centro. Segundo Miguel Chaia, curador da exposição Mirian, realizada na Galeria Estação de São Paulo em 2015, há na obra de Mirian “...uma tensão que se dá permanentemente nas suas pinturas, qual seja, a convivência entre uma ordem abstrata e geométrica e uma ordem figurativa

Mirian, título desconhecido, óleo sobre madeira.

Ao longo de sua vida Mirian participou de várias exposições individuais e coletivas. Nas décadas de 1960 e 1970, expôs sua obra em várias galerias do Rio de Janeiro, dentre ela a Galeria Bonino. Participou da Bienal Internacional de São Paulo (1963 e 1967); do Salão Nacional de Arte Moderna (Rio de Janeiro, 1966); da 1ª e da 2ª Exposição da Jovem Gravura Nacional no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo; da Bienal de Gravura de Santiago do Chile (1969), e das mostras Peintres de L'Imaginaire (Paris, 1976) e Pintura Primitiva do Brasil (Museo de Arte Carrillo Gil, México, 1980).

Mirian, Entrem Circo Piolim, óleo sobre madeira.

“Para mim pintar é vida. Pinto o que amo e sinto no coração. O povo para mim, o Brasil são uma atração grande demais. Curto ouvir causos, música popular e o mais importante, estou muito com gente, mas não importa a escala social. Minha pintura deve muito aos grandes mestres que tive em Goiás. E, no Rio, o Ivan Serpa”. Mirian Inêz da Silva (1983)

Mirian, O camelo foi pro céu ver a copa, óleo sobre madeira.

Fonte:

Chaia, M. Mirian: para além da pintura figurativa, Galeria Estação, São Paulo, 2015.

Mirian, título desconhecido, óleo sobre madeira.

Mirian, Atores, óleo sobre madeira.

Mirian, título desconhecido, óleo sobre madeira.

Mirian, Ciranda, óleo sobre madeira.

Mirian, título desconhecido, óleo sobre madeira.

Mirian, título desconhecido, óleo sobre madeira.

Ariano Suassuna

Ariano Vilar Suassuna nasceu no dia 16 de junho em 1927 na cidade da Paraíba, hoje João Pessoa, na época em que seu pai, João Suassuna, era presidente do Estado da Paraíba. Quando seu pai deixou o cargo, a família se mudou para o sertão do Estado; ali Ariano passou grande parte da sua infância, entre os municípios de Sousa e de Taperoá. Em 1943, Ariano e sua família mudaram-se para o Recife, cidade em que viveu até sua morte em 2014. Ariano foi casado com D. Zélia de Andrade Lima, com quem teve seis filhos. Apesar de ser mais conhecido como romancista, dramaturgo e poeta, Ariano Suassuna também foi um grande artista plástico, e é sobre esta faceta do grande mestre que dedicaremos esta publicação.


Ariano Suassuna. FOTO: Leonardo Aversa.

Ariano Suassuna foi sempre um grande defensor e difusor da cultura popular brasileira. Juntamente com um grupo de artistas e escritores, fundou em 1970 em Recife o Movimento Armorial, que tinha como objetivos a construção e a valorização de uma arte erudita essencialmente brasileira, a partir de elementos da cultura popular nordestina. [...] A Arte Armorial Brasileira é aquela que tem como traço comum principal a ligação com o espírito mágico dos "folhetos" do Romanceiro Popular do Nordeste (Literatura de Cordel), com a Música de viola, rabeca ou pífano que acompanha seus "cantares", e com a Xilogravura que ilustra suas capas, assim como com o espírito e a forma das Artes e espetáculos populares com esse mesmo Romanceiro relacionados [...], escreveu Ariano em 1975. Segundo o mestre, o termo armorial se referia “a um conjunto de insígnias, brasões, estandartes e bandeiras de um povo, a heráldica é uma arte muito mais popular do que qualquer coisa”. Assim sendo, o Movimento Armorial significava o desejo de ligação com essas heráldicas raízes culturais brasileiras. O Movimento valorizava a pintura, a música, a literatura, a cerâmica, a dança, a escultura, o teatro, a gravura, o cinema, dentre outros. Neste contexto, o Mestre Ariano contribuiu, não somente como um idealizador do movimento e incentivador destas manifestações artísticas, mais também como um destes artistas, sobretudo na literatura, na gravura, na pintura e no teatro.


Ariano e sua esposa D. Zélia. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.

A arte plástica de Ariano foi iniciada juntamente com a sua literatura. O mestre costumava ilustrar as páginas de seus manuscritos com motivos florais, figuras fantásticas, dentre outros, que cobriam as margens do papel numa espécie de moldura para o texto. Nos romances A pedra do reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-volta, decidiu ilustrar ele mesmo os livros. Ao contrário das gravuras tradicionais, as dos seus romances têm papel estrutural na história e normalmente são assinadas por um dos personagens. Mais trade, com o Movimento Armorial, Ariano combinou a iluminura (Técnica praticada na Idade Média, que consistia em uma pintura decorativa aplicada às letras capitulares dos códices de pergaminho medievais) com a gravura, criando assim a iluminogravura, uma espécie de “poesia visual”. Imagens de cavaleiros, animais, brasões, armas, bandeiras, cruzes se misturava à poesia do Mestre e de outros grandes poetas brasileiros, a exemplo de Augusto dos Anjos.

Ariano Suassuna, ilustração do romance A pedra do reino.

Ariano Suassuna, ilustração do romance A pedra do reino.

Na confecção das iluminogravuras, Ariano primeiro produzia uma matriz com suas ilustrações combinadas com poemas manuscritos, feitos em nanquim sobre papel. A partir daí fazia cópias em uma gráfica, através do processo offset e, manualmente coloria os desenhos com tinta guache, óleo e/ou aquarela. O texto era escrito com letras que lembravam as marcas de gado feitas com ferro quente. Baseado nestas marcas, Ariano desenvolveu um trabalho tipográfico ligado à sua heráldica sertaneja: o Alfabeto Armorial.


Tipografia armorial

Ariano Suassuna, A Acauham. A Malhada da Onça, guache sobre impressão offset.

Ariano Suassuna, O mundo do sertão, guache sobre offset.

Ariano Suassuna, A estrada, guache sobre impressão offset.

As iluminogravuras de Ariano eram criações inspiradas na arte popular e rupestre do Brasil. As figuras, humanas ou não, lembram a xilogravura de Gilvan Samico e J. Borges. O sertão sempre presente, é retratado com um lugar sagrado e místico, com seus cavaleiros, profetas, bandeiras e brasões, destacando sua beleza, mas sem negar as suas mazelas. Sobre essa sua faceta de artista plástico, Ariano era muito modesto. Dizia que era um escritor que ilustrava livros. Apesar das ilustrações e iluminogravuras serem mais conhecidas dentro da obra do artista plástico Ariano Suassuna, ele também pintou alguns quadros em tela.


Capa de uma série de iluminogravuras de Ariano Suassuna.

Ariano Suassuna, Lápide, guache sobre impressão offset.

Ariano Suassuna, O reino da Acauhan, guache sobre impressão offset.

Ariano era formado em Direito, pela Faculdade de Direito do Recife, hoje Centro de Ciências Jurídicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Na UFPE foi professor durante 31 anos, atuando nos Departamentos de História e de Teoria da Arte e Expressão Artística, onde ministrava disciplinas como Estética, Literatura brasileira e Teoria do Teatro. Ocupou ainda o cargo de secretário de cultura do estado de Pernambuco durante os governos de Miguel Arraes e de Eduardo Campos. Era membro da Academia Brasileira de Letras.

[...] Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa. (Ariano Suassuna, 1927-2014).


Ariano Suassuna, título desconhecido.

Ariano Suassuna, O sono e o mito, guache sobre impressão offset.

Ariano Suassuna, Infância, guache sobre impressão offset.

Ariano Suassuna, O sol de Deus, guache sobre impressão offset.

Ariano Suassuna, O campo, guache sobre impressão offset.

Ariano Suassuna, O amor e o desejo, guache sobre impressão offset.

Ariano Suassuna, A viagem, guache sobre impressão offset.

Ariano Suassuna, O amor e a morte, guache sobre impressão offset.