Dona Irinéia

Irinéia Rosa Nunes da Silva é uma das mais reconhecidas artistas da cerâmica popular brasileira. Ela faz parte de um grupo de remanescentes quilombolas do povoado do Muquém, município de União dos Palmares, zona da mata Alagoana, onde nasceu no dia 7 de janeiro de 1949. É um lugar bastante simbólico; está próximo à Serra da Barriga, terra do Quilombo dos Palmares, do Quilombo de Zumbi. 

Dona Irinéia. FOTO: autoria desconhecida

Como muitos outros ceramistas, Dona Irinéia começou fazendo peças utilitárias junto com sua mãe para ajudar na renda familiar. Casou-se, separou-se. Depois dessa separação conheceu Antonio Nunes, Seu Toinho. Essa união trouxe folego novo para o trabalho de Dona Irinéia; pouco a pouco a cerâmica utilitária foi dando lugar às esculturas com as quais Dona Irinéia ganhou fama e reconhecimento. “Ele também mexia com barro quando era jovem. O pai de Toinho fazia telha e ele ajudava no acabamento. Depois que a gente se casou ele começou a ir buscar barro ali no barreiro e a gente começou a fazer algumas coisas além de panela e jarro. É que o povo encomendava mão de barro, cabeça e outras partes do corpo pra poder pagar promessa. E a gente fazia tudo”, diz Dona Irinéia. Assim já se vão mais de 35 anos de trabalho amassando e modelando o barro.

Dona Irinéia, cabeças, cerâmica. FOTO: autoria desconhecida

Dona Irinéia, mulher com flores, cerâmica. FOTO: autoria desconhecida

Dona Irinéia conta que foram as encomendas das pessoas que iam pagar promessa em Juazeiro do Norte-CE que despertaram sua imaginação. “Eu não tinha noção de fazer nada com o barro usando a minha mente, aí foi que Deus me mostrou a minha arte e graças a ele deu certo. Quando estou longe do barro não estou feliz. É ele que faz a minha imaginação acontecer, ele é a minha vida”, diz a artista. Suas criações resultam das memórias de sua própria vida e da realidade que cerca a comunidade quilombola. Dona Irinéia retrata animais, presépios e desde 2010, retrata uma jaqueira que serviu de abrigo para parte da sua comunidade que foi desabrigada após uma grande enchente.

Dona Irinéia modelando uma de suas peças. FOTO: autoria desconhecida

Dona Irinéia e sua jaqueira. FOTO: autoria desconhecida

Aos quase 70 anos de idade, Dona Irinéia é mãe de 11 filhos continua na lida diária com barro. Ela mora no seu povoado de Muquém, onde recebe visitas de gente do Brasil e do exterior interessada pelo seu trabalho. Em 2004, Dona Irinéia ficou entre as dez finalistas do Prêmio Unesco de Artesanato da América Latina. Em 2005, foi reconhecida pelo governo do estado de Alagoas como Patrimônio Vivo de Alagoas. Ao longos do anos suas peças se tornaram cada vez mais conhecidas pelo Brasil. É comum encontrá-las em exposições em galerias em cidades como Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Em 2015 esculturas de Dona Irinéia artesã foram levadas para Itália, a convite da Expo Milão, uma feira que reúne obras de arte de 140 países.

Dona Irinéia, título desconhecido, cerâmica. FOTO: autoria desconhecida

Contato com Dona Irinéia
Endereço: Povoado do Muquém, s/n, União dos Palmares – Alagoas, CEP 57800-000
Contato: (82) 99624-5923 / 99696-8885 / 99948-5213 / 99663-0563

Dona Irinéia rodeada por muitas das sua peças. FOTO: autoria desconhecida

Dona Irinéia, mulher com crianças nos braços, cerâmica. FOTO: autoria desconhecida

Dona Irinéia, homem nu fazendo xixi, cerâmica. FOTO: autoria desconhecida

Dona Irinéia, Padre Cícero, cerâmica. FOTO: autoria desconhecida

Conjunto de cabeças de Dona Irinéia. FOTO: autoria desconhecida.

Dona Irinéia, título desconhecido, cerâmica. FOTO: autoria desconhecida.

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